05 março, 2008

Soneto Antigo


Responder a perguntas não respondo.
Perguntas impossíveis não pergunto.
Só do que sei de mim aos outros conto:
de mim, atravessada pelo mundo.

Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.

O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.

Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento.

Cecília Meireles


3 comentários:

poetaeusou . . . disse...

*
Aqui está minha dor,
este coral quebrado,
sobrevivendo
ao seu patético momento.
Aqui está minha herança,
este mar solitário
que de um lado era amor e,
de outro, esquecimento,
,
in-cecilia meireles
,
conchinhas
,
*

artesãdaspalavras/izilgallu disse...

Muito bonito seu blog, bem estruturado, e obrigada pela visita no meu Teatro, passarei aqui outras vezes
abraços
Izil
(*artesãdasoalavras*)

Um Momento disse...

Passei e por aqui um pouco me passeei:)

Lindo espaço!

Voltarei

(*)