10 março, 2008

As sem-razões do amor



Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.


Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

.Carlos Drummond de Andrade.

5 comentários:

GS disse...

Um dos maiores poetas da língua portuguesa!
Tenho grande admiração pela sua obra!

Sensibilizada pelo olhar amistoso poisado em 'fragmentos'!

poetaeusou . . . disse...

*
Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
,
in-Carlos Drummond de Andrade
,
conchinhas de amizade
,
*

Um Momento disse...

E perco-me nestas palavras onde o amor é vida

:)))

Deixo um beijo... em ti

(*)

Cor disse...

Ai o amor....o amor faz maravilhas...

e é tão bom amar e ser amada:D

um beijo, cor

Ana Casanova disse...

Fiquei encantada com o teu blog!
Um espaço maravilhoso onde se vive a poesia.Poetas maravilhosos conjugados com imagens "escolhidas a dedo", de extremo bom gosto.
Adoro este poema que fala do amor e por isso o escolhi para te agradecer a tua visita e prometer que vou voltar sempre aqui!
Beijinhos