19 novembro, 2008

Ausência


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


Carlos Drummond de Andrade

12 comentários:

Rafeiro Perfumado disse...

Mas ao fazer-te companhia, não te estarei a roubar a ausência? ;)

Beijoca!

Rosi Gouvêa disse...

Roube-a sempre Rafeiro...

Sandra Silva disse...

A ausência por vezes pode ser dura, como uma ferida aberta no coração que teima em não sarar...

um beijinho*

meus instantes e momentos disse...

Oi, muito bom, voltar ao teu blog.
Tenha um belo final de semana.
maurizio

o¤° SORRISO °¤o disse...

Oi Rosi.

Ausência. Belo post de reestréia... :-)

Que seu Domingo seja de repleto de coisas boas.

Beijos mil! :-)

Grazi disse...

Sábio Drummond!
A ausência é o não sentir nada, como na música Socorro, de Arnaldo Antunes...
A ausência é uma quase-morte, mas a falta dói mais.
Beijos.

O Profeta disse...

Ausentamo-nos...Às vezes de...nós...


Doce beijo

Cristiana Fonseca disse...

Que bom ler tuas postagens novamente.
E sempre belas,ótimo escolha
Lindo poema.
Abraços,
Cris

O Profeta disse...

Sou palavra perdida no silêncio
Gerada no ventre do Mar
Grinalda de perdidos sonhos
O passado do verbo amar

Amei!
Voar na chegada de cada Primavera
Pintar de luz as cores do verão
Pisei o tapete das folhas de Outono
Acendi em cada inverno uma fogueira de paixão


Convido-te ao encontro com o meu “Eu”


Mágico beijo

Thiago disse...

Drummond de Andrade é um génio!! UM ABRAÇO

mdsol disse...

Sempre bom
O Carlos Drummond!
:))

(Un)Hapiness disse...

nunca pensei nesses termos...